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PATRIA Y HUMANIDAD

Política

EL SURCO Y EL PAPEL

EL SURCO Y EL PAPEL

Por Luis Sexto

La Revolución es la única que ha repartido tierras en Cuba. El capitalismo, en cambio, la concentró en pocos propietarios, a veces a través de la magia nocturna de cercas que caminaban o de desalojos a campesinos en los llamados realengos. Si alguna vez cedió algún pedazo fue para sacar algún provecho del sudor de los agricultores, mediante fórmulas medievales como el arrendamiento o el trabajo «a partido», es decir, la mitad o la tercera parte para el latifundista.

Por lo dicho y sabido, la resolución 259, de reciente aprobación, es una medida revolucionaria, opuesta a la práctica capitalista. Lo aclaro, por si alguno, habituado a considerar la propiedad estatal como la única forma posible de organizar el patrimonio agrario de la nación, puede estimar que distribuir 13 hectáreas como mínimo entre trabajadores que desean fajarse con tierras ociosas y enmarañadas por el parásito de la desidia, implica una concesión, un jugueteo inoportuno con el mal olor del capitalismo. A principios de la década de los 60, la Revolución triunfante no dudó en erigir como dueños de sus tierras, que a veces eran «ajenas», a millares de pequeños agricultores. Con ello, vertebró el campesinado cubano, que desde el siglo XVI clamaba por justicia, con una voz numerosamente amordazada por el desalojo y la sangre.

Ante la existencia del papel legal de la resolución 259, que expresa una voluntad política del Partido y el Gobierno, solo la aplicación consecuente podrá conseguir los fines que el documento —fruto sin duda de la reflexión— se propone como respuesta para revertir la improductividad de una apreciable porción de nuestras escasas riquezas.

Quizá lo peor que le pudiera ocurrir a medida tan consecuente sería que la creyéramos solución provisional, pasajera. Si fuera así y con esa aprensión se empezara a distribuir una parte de nuestro fondo agrario, ya estaríamos mediatizando la concreción de los propósitos de la 259. ¿Qué ofrece, en suma, esta resolución sino tierras que necesitan ante todo trabajo permanente y abnegado, en ocasiones sin los recursos básicos? Serán, por supuesto, tierras agradecidas a la aplicación laboriosa. Con tanto tiempo en descanso o habitadas por el marabú, la fertilidad se le ha ido acumulando en un humus generoso.

Este comentarista cree que más que solucionar una emergencia productiva, la Resolución 259 procura fijar a hombres y mujeres a la tierra; nutrir las filas del campesinado, que hoy tiende a desaparecer por vejez y muerte en sus más experimentados horcones. Si no persiguiéramos reestablecer en un mínimo el trabajo del pequeño agricultor, tal vez, a mi modo de ver, no podríamos trascender, con mirada de largo plazo, las limitaciones del presente.

No parece recomendable, valorando la historia de Cuba y el cuadro agrario de la actualidad, soslayar el fortalecimiento del campesinado. A lo largo de cinco siglos el conjunto de los campesinos ha demostrado su pertinencia, su perseverancia y su fidelidad a la nación. Cuba, en dimensión no desdeñable, ha sido campesina. Y lo sigue siendo. Las cifras publicadas en los últimos meses confirman que, a pesar de las turbulencias del llamado mercado agropecuario de oferta y demanda, con sus precios desmandados gracias a una escasa presencia productiva, los volúmenes que cuantifica la Asociación de Agricultores Pequeños, que une a productores individuales y cooperativos, son los mayoritarios en el país, en momentos de restricción agrícola.

Puedo equivocarme. Opinar comporta un riesgo. Y lo asumo porque incluso estoy convencido de que no hay opiniones eternas. Probablemente la vida exija hoy este juicio mío, y mañana, al cambiar la realidad, sea otra mi opinión. Por ello, me atrevo a recomendar que insistamos en el control, pero sin la rigidez que entorpece el verdadero control, de modo que al cortar el cordón umbilical le suprimamos también a la criatura del burocratismo la facultad de respirar. Habrá que insistir en lo positivo, lo creador. La Resolución 259 pone en manos de trabajadores honrados la oportunidad de ser parte de la solución y no parte del problema. Se desprende, pues, la necesidad de encarecer la abnegación, el patriotismo en un clima de confianza que exalte el estímulo junto con el cumplimiento del deber...

De cualquier modo, el marabú no es el problema capital del campo. La agricultura cubana sigue autobloqueada, o bloqueada desde dentro, además de bloqueada desde el extranjero. En estos días, de visita por esos campos, supe de cierta unidad básica de producción cooperativa que, con petróleo y fertilizantes asignados, no puede cultivar la tierra: carece de dinero para pagar sus insumos porque el ingenio azucarero cercano no le ha pagado 220 000 pesos de la última zafra. ¿Es una anécdota? Si lo fuera, es muy expresiva de que la pelea no se gana en los informes.

El surco no hace fructificar papeles. (Publicado en Juventud Rebelde)

REFORMA E REVOLUÇÃO EM CUBA

Por Emiliano José

Era um Lada. Com bem mais de 20 anos de uso. Um russo decadente. Quando o volante era girado para qualquer lado, a buzina era acionada. O motorista dizia tratar-se de um sofisticado software instalado no velho carro. Ironizava com um defeito elétrico não solucionado por falta de peças de reposição. 

Estamos em Cuba, desfrutando das belezas de Havana, 2 de janeiro de 2008, o automóvel andando a coisa de 60 quilômetros, mais por suas deficiências do que por qualquer respeito a limites de velocidade. Havana, aliás, é curiosa. Você faz uma viagem no tempo. Passa a contemplar não apenas os velhos Lada, mas automóveis das décadas de 30, 40, 50, 60 do século passado. 

O motorista do Lada é Luís Sexto, jornalista desde 1972. Já foi repórter, chefe de reportagem, redator-chefe. É um revolucionário, defensor da revolução. E cristão. Escreve atualmente para o Juventude Rebelde, diário cuja circulação é superior a 250 mil exemplares. Teve um de seus livros publicado no Brasil: O cabo das mil visões: Magias e mistérios do Cabo de Santo Antônio, em Cuba, pela editora Casa Amarela. Já havia lido alguns dos meus livros. 

Foi um privilégio conhecê-lo e sentir nascer uma promissora amizade, como ele diz no autógrafo do livro que me entregou no início da noite daquele dia 2 de janeiro, em seu simpático e modesto apartamento, depois de nossa turnê por Havana. Ele esbanja conhecimento sobre a história da Ilha, sua cultura, sua gente. Conhece profundamente a alma do povo cubano. 

Eu visitava Cuba pela primeira vez. Escrevera tanto sobre a Revolução, estivera com vários dirigentes cubanos, inclusive com Fidel Castro, em 1993, na Bahia, quando lhe entreguei um exemplar do livro sobre o Capitão Carlos Lamarca, escrito por mim e por Oldack Miranda. Mas, ainda não visitara Cuba. Confesso que tinha algum receio. Eu, que me inebriara tanto com as conquistas revolucionárias dos liderados de Fidel, será que não me frustraria ao me ver face a face com aquela experiência? 

As revoluções suscitam situações complexas depois da tomada do poder. Quanto mais uma revolução feita nas barbas do Império. De 1959 até hoje, Cuba tem vivido sob ataque cerrado. O bloqueio econômico constitui-se numa cruel agressão ao povo cubano. 

E Cuba, que teve sua situação agravada com o fim do socialismo real e com a desintegração da URSS, tem sabido resistir, mantendo intocadas as conquistas do socialismo, particularmente aquelas registradas nas áreas da saúde e da educação. Não me frustrei com o que vi. Mas, óbvio, não há paraíso sobre a terra. Algumas preocupações assaltaram-me. 

E na conversa com Luís Sexto pude perceber que as preocupações eram também dele. Ele, com sua experiência, do alto de seus 62 anos e de sua dedicação à Revolução, conquistou um espaço que lhe permite o exercício da crítica. “Eu tenho compromisso com o meu país. E por isso tenho o direito de criticar. Não sou complacente. O que está mal, está mal. O que é equivocado é equivocado”. 

No nosso diálogo, ele recordava o que Fidel dissera no dia 17 de dezembro de 2005. “Os inimigos externos da Revolução não podem nos destruir. Já compreenderam isso”, foi o que dissera. No entanto, acrescentara, “o que pode nos destruir são os nossos próprios erros”. E isso reforçou ainda mais o espírito crítico de Luís Sexto. Na opinião dele, naquele início deste ano, o que pode comprometer o futuro da Revolução são os restos do modelo de socialismo herdados da experiência soviética. 

Havia em Cuba, naquele momento, e isso era confirmado pelo jornalista, um clima surdo contrário à excessiva concentração econômica nas mãos do Estado, um alargamento da pequena corrupção, indisciplina no mundo do trabalho, ausência de estímulo à criatividade de empreendedores individuais, a revolta contra a existência de duas moedas (uma para o turista, outra para os cubanos) e contra o excesso de proibições, entre vários outros aspectos. 

Sentia alguma amargura em sua voz, talvez decorrente da pressa que tinha nas mudanças. O povo cubano, me dizia, é paciente, ama sua Revolução, mas não pode esperar muito mais. E me fez uma revelação surpreendente: a esperança de que as coisas mudem está nas mãos de Raul Castro. Ao contrário do que todos apregoam, ele é mais, usemos a palavra, é mais liberal do que Fidel Castro. Me revelou que a filha de Raul era a vanguarda da luta pelo direito à liberdade de orientação sexual. 

Acabei de ler o livro O senhor de todas as armas, de Carlos Alberto Tenório, que dá uma visão do Raul em Sierra Cristal, 1958. Fornece pistas sobre a forte personalidade dele. Raul era o comunista da família.
Parece que Luís Sexto tinha razão. O irmão de Fidel, logo que assumiu o comando político, iniciou uma política de reformas que parece atender as expectativas do povo cubano, nem que parcialmente. Surpreendeu a todos, iniciando um processo de diminuição das proibições, o que abre as portas para a criatividade e premia o mérito. Politicamente, para lembrar apenas uma iniciativa, criou as condições para uma grande manifestação a favor do direito dos homossexuais, que ocorreu. 

Luís Sexto me dizia que o excesso de proibições e o volume de coisas concentradas nas mãos do Estado prejudicavam o consenso, limitavam as iniciativas do povo para que ele próprio resolvesse os seus problemas. “Tem que se dar espaço às pessoas, aos indivíduos. A igualdade deve se basear na máxima de que todos tenham os mesmos direitos. Mas, é fundamental que os talentos individuais possam se manifestar. O medíocre não pode valer igual ao mais apto”. 

Mais do que isso, no plano da economia, com reflexos no mundo da política, defendia que o socialismo cubano devia dar mais espaço aos trabalhadores, que na opinião dele deviam ser protagonistas mais efetivos. “Aos gerentes não têm importado o que pensam os trabalhadores”. O socialismo cubano não tem sido capaz, na opinião dele, em razão das travas burocráticas, em converter os trabalhadores em agentes efetivos da produção, em dirigentes do mundo da economia. 

Senti que os dirigentes cubanos têm alguma consciência dos problemas. Conversei com Jorge Ferreira, do Comitê Central. E agora vejo Raul Castro começando a implementar reformas que podem impulsionar a economia, aumentando a margem de manobra para as iniciativas do povo. Pode ser que a vitória de Obama nos EUA abra portas para o fim do bloqueio, isso primeiro se ela ocorrer e segundo se ele se dispuser de fato a enfrentar o problema com uma visão democrática. 

O fato é que o caminho para libertar-se do modelo antigo – aquele do socialismo real, como diz Luís Sexto – ainda é longo. É fundamental que a caminhada continue. Estamos numa época de reconstrução de modelos de socialismo. Aquele, fundado no autoritarismo, na concentração de tudo nas mãos do Estado, já demonstrou sua falência. O momento é edificar modelos que consigam juntar a luta pela igualdade com a prevalência das liberdades, democracia e socialismo irmanados

LO RACIONAL Y LO INCOMPRENSIBLE

LO RACIONAL Y LO INCOMPRENSIBLE

 Por Luis Sexto

Un personaje de Kafka amaneció un día convertido en insecto. La escena la cuenta –creo- en un libro titulado La metamorfosis. En general, toda la obra narrativa de este escritor checo descoyunta la realidad. Hoy casi nadie ignora lo que es una situación kafkiana: un cuadro cabeza abajo, un clavo empotrado por el extremo sin punta, un cubo que se llena por el fondo… Así, como los actos condicionados por la mentalidad burocrática. Y Kafka, en efecto, fue un narrador antiburocrático. Nadie pintó la burocracia con perfiles tan exactos a pesar de los desafueros imaginativos del escritor.

Fíjense que hablo de mentalidad burocrática y no de burócratas. No personalizo, porque ser burócrata o no serlo más que un oficio, una carrera, es una opción que habitualmente no lleva nombre; es una opción asumida y diluida en el grupo, la empresa, el organismo. Esa mentalidad ve la vida a través de los deseos, y -como alguien ha dicho- para cada sí tiene un no, y para cada solución un problema. Y su existencia y sus actos carecen de finalidad. Solo importa lo formal, que llega a convertirse en lo irracional.

Lo advierto: estoy hablando mal de las acciones burocráticas. Que nadie espere, en este tema, mesura y equilibrio. ¡Lastima tanto el proceder de la burocracia! Entorpece, frena, desvía, decepciona ¡tanto! la conducta burocrática que uno no puede sentir conmiseración. Habitualmente cuando alguien adopta una decisión desde posiciones burocráticas, no considera a la gente, al público, al pueblo. Lo que le interesa es su tranquilidad orgánica, el acomodar la realidad a su confort oficinesco, a los gustos de su silla, que suele no ser giratoria: mira solo hacia un solo punto. Girar sería ver la realidad por sus cuatro costados, en movimiento, en cambio… Y todo ello es lo cuerdo, lo útil, lo revolucionario, que ha de equivaler a lo más creativo y mejorador.

La mentalidad burocrática, de tan torpe, solo ve la solución de los problemas –si se les urge una solución- en los otros. Porque todo marcha mal por causa de los demás. Y por tanto son los demás –digamos los trabajadores- los que han de hallar el remedio.

A la burocracia solo le toca exigir apego a la letra y ejercer el control. Control. Mucho control, que es palabra de orden y que, al menos, garantiza el sueño tranquilo al que está para controlar. ¿Y el clima moral del trabajo, y los medios, y los recursos, y los estímulos que promuevan la productividad, la calidad y los deseos de trabajar?  Esas son palabras que no aparecen en el diccionario práctico de la conducta burocrática… Parecen términos de otro idioma. Y mientras no lo hablemos todos, la solución parece quedar en la zona  de lo incomprendido. Y en la puerta de entrada habrá que poner un cartel: Se solicitan intérpretes para leer a… Kafka. 

TÍBET: ¿VERDADERO O FALSO?

TÍBET: ¿VERDADERO O FALSO?

Por MILA MARCOS y MICHEL COLLON

Juzgue la forma en la que le informaron los medios de comunicación

El objetivo de este «media-test» no es chocar o crear un escándalo. Todas las posturas son respetables. Nuestro objetivo es que cada uno pueda plantearse a sí mismo una cuestión esencial: «¿Se basan mis convicciones en informaciones fiables?» «¿Se ha tratado de manipular la opinión pública sobre algunas asuntos críticos?»

¿Cómo ser un buen juez? Ser un buen juez significa escuchar con atención las distintas posturas, tratar de dejar sus prejuicios de lado y comprobar la fiabilidad de cada prueba, documento o testimonio. ¿No debería estar todo lector o espectador de los medios de comunicación interesado en aplicar este método?

1. «Antes de la invasión de China, el pueblo tibetano vivía en armonía con los monjes y los señores feudales en un orden social inspirado por los enseñamientos religiosos.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

2. «En 1951, China invadió el Tíbet.»

O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

3. «A partir del momento en que los comunistas chinos tomaron el poder el Tíbet en 1951, el Dalai-lama y los señores tibetanos perdieron todo su poder político.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

4. «La batalla de Lhasa se saldó con la muerte de 83.000 tibetanos.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

5. «En un principio, India se negaba a dar el asilo político al Dalai-lama.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

6. «La ocupación china provocó la muerte violenta de 1,2 millones de tibetanos.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

7. «Durante la Revolución Cultural toda práctica religiosa quedó prohibida.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

8. «El Dalai-lama es una especie de Papa del Budismo mundial.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

9. «El Dalai-lama reivindica un territorio equivalente a una cuarta parte de China.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

10. «La financiación del movimiento tibetano proviene de donaciones de ONG humanitarias o caritativas.»

O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

11. «El apoyo de los EEUU al Dalai-lama está motivado por objetivos estratégicos.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

12. «El Dalai-lama defendió públicamente al antiguo dictador fascista de Chile Augusto Pinochet.»

O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

13. «Reporteros Sin Fronteras apoyan al Dalai-lama de forma desinteresada.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

14. «China está cometiendo un genocidio cultural en el Tíbet.»
O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso

15. «Las violencias que se registraron en Lhasa el pasado 14 de marzo 2008 son la consecuencia de la dureza con la que la policía y el ejército chino reprimieron una manifestación pacífica.»

O Verdadero O Falso O Ni Verdadero, ni Falso



RESPUESTAS:
Podrá encontrar todas las respuestas en:
Tibet: ¿Verdadero o falso?

¿CUÁL ES LA LIBERTAD QUE NOS TRAERÁN?

Por Luis Sexto

Algunos pretenden en Miami atribuirse los privilegios de un Vaticano en todo cuando tenga que ver con Cuba: como la sede pontifica con respecto al catolicismo, desde esa ciudad del primer mundo habitada y gobernada por gente del tercero, se aprueba o se desaprueba todo aquello  relacionado con Cuba. No admiten el agua tibia; al menos cuantos acceden a los medios, no aceptan otro enfoque que el que ellos tiran sobre las cosas de Cuba. Recientemente, a Monseñor Carlos Manuel de Céspedes le cayó encima el mazo de esa especie de tribunal de Santo Oficio cuando el biznieto del Padre de la Patria publicó en Granma una evocación sobre Ernesto Che Guevara,  en el aniversario 80 de su natalicio.

Ante tales reacciones insultantes y un tanto truculentas, uno empieza a sospechar. Y se pregunta: ¿pero esos son los que dicen que volverán para restablecer la libertad y los derechos democráticos en la “isla comunista”donde se supone que nadie es libre? Caramba, si así actúan sin haber ganado aún el poder, cuando lo tengan, hasta los cojos lamentarán no poder correr…

Si yo le comunicara esa idea, el Padre  Carlos Manuel de Céspedes me diría: Bueno, esa es la desmesura criolla que él tanto ha comentado en sus apostillas de Palabra Nueva; la tendencia a la hipérbole que nos hace decir, cuando subimos la loma del Burro, en La Habana, que estamos ascendiendo al Turquino, cuando no al Annanpurna.

No soy tan complaciente con cuantos, en nombre de la libertad, la intentan restringir aunque sea con los vituperios de un artículo. No debo creer que allá se ignora que el epíteto no pasa como argumento aunque lo vistan de seda: en calificativo queda ¿Lo hacen  para quedar bien? ¿Con quienes: con los de allá o los de aquí?  Evidentemente, con los de allá. Los de aquí no importamos porque de una u otra manera vivimos en Cuba y ello, según su modo de juzgarnos, nos hace cómplices del “totalitarismo comunista”, o nos inhabilita para pensar, aunque algunos de cuantos nos menosprecian desde el otro lado del Estrecho de La Florida hayan estado hasta ayer entre nosotros, viviendo como unos de tantos y a veces no siendo tan iguales a los demás. Y si usted, hombre de iglesia o de fe, publica en Granma –un hecho que a los cubanos lúcidos les parece prometedor, abierto, muy conveniente- la excomunión miamense o de su sucursal madrileña lo condena y mantiene la sentencia en suspenso  hasta tanto se prenda la pira.

El dogma está también del otro lado. Dogma es dictar que Monseñor de Céspedes no puede hablar del Che, ni matizando sus elogios, porque ese Guevara es “un asesino”. Así lo han pontificado en un proceso de 50 años, tras el cual no han aportado ni “un milagro”que abone la concesión de tanta perversidad “ahistórica”: asesino. ¿Cómo ha sido "asesino" Guevara? ¿Dónde están sus víctimas, suponiendo que, en estricto derecho penal, asesinados no sean los que él pudo haber muerto en combate o en las exigencias de múltiple tipo de la guerra, donde se afronta parejamente el riesgo de matar como el de que te maten? Por el contrario, sí sabemos que el guerrillero  fue asesinado: lo ultimaron herido, inerme, acostado sobre un camastro o una mesa en la escuelita de La Higuera, después de que llamaron a Washington, y desde allí, en un breve y sumarísimo juicio telefónico, decretaron -según cuenta Carlos Soria, historiador  boliviano que ha escrito siete libros sobre el asunto Guevara en los Andes-: “Mátenlo, que eso es lo que jode a Fidel Castro”.

Monseñor de Céspedes cita el juicio de Juan Pablo II. Los que le reprochan al sacerdote cubano haber acudido al Papa, invalidan el testimonio de autoridad alegando que el cura cubano ha sacado de contexto la frase papal. ¿Y no será que quienes dudan de la  exactitud de la referencia es porque no la conocen? Es muy criollo, según enseñó Mañach, negar o reírse de aquello que no se sabe o no se entiende. Al menos, puedo abonar la cita. Cerca de mí, un libro que recoge discursos, declaraciones y documentos pontificios durante la visita de Juan Pablo II a Cuba, en enero de 1998. Para los que exigen fichas bibliográficas como sostén de afirmaciones decisivas, aquí les va el dato: Que Cuba se abra al mundo; que el mundo se abra a Cuba, El viaje de Juan Pablo II, Cuadernos de “L’Osservatore Romano, Ciudad del Vaticano, 1998. En la pagina 19, en el capítulo titulado Encuentro del Papa con los periodistas (durante el vuelo) dice: “Otro periodista le preguntó, también en castellano, por su pensamiento sobre Che Guevara, un protagonista de la historia reciente de Cuba, a lo que Su Santidad contestó: ‘Ahora se halla ante el tribunal de Dios. Dejemos a nuestro Señor el juicio sobre sus méritos. Ciertamente, estoy convencido de que quería servir a los pobres’.”

Dudo, por ejemplo, que Juan Pablo II haya podido expresar alguna vez un criterio similar sobre Luis Posada Carriles, a quien sí se le puede acusar, en plenitud de derecho, de asesino. Sin embargo, en Miami es casi un mártir. No necesito presentar a Luis Posada Carriles. La prensa mundial lo conserva hace años en sus archivos. Y entre sus faenas más reconocibles nadie duda de su participación –como autor intelectual y suministrador de medios- en la voladura de una nave de Cubana de Aviación, en 1976, que estalló unos 20  minutos después de alzar vuelo de Brigetown, Barbados, en su habitual ruta comercial. A bordo  transportaba los tiradores del equipo juvenil cubano de esgrima y otros viajeros de diversas nacionalidades. Recientemente, en el 2000, fue acusado en Panamá de preparar un atentado contra la vida de Fidel Castro en la universidad de la capital del istmo. Condenado, la presidenta Mireya Moscoso lo amnistió antes de abandonar la presidencia, como regaló a la millonaria “confederación terrorista” llamada Fundación Nacional Cubano Americana,  y en acatamiento al gobierno invisible de los Estados Unidos. Mucho antes, en 1985, convicto del acto terrorista de Barbados, Posada Carriles se fugó espectacularmente de su prisión en Venezuela: por la puerta de salida y diciendo adiós a los carceleros.

 Tengo en mis manos una autobiografía de Luis  Posada Carriles. Después de repasar cada una de las habitaciones de su currículo, he sentido los estremecimientos del horror. No intento ser patético. Pero cualquiera que se sienta incapaz de asumir los encargos del represor, del que come y echa pasto a su cuenta corriente a costa de los quejidos ajenos, se espanta ante los datos primordiales de un verdugo. Nuestra sensibilidad prefiere la posición de la víctima antes que la del torturador. El propio victimario lo admite en un libro publicado en Miami en 1994, titulado Los caminos del guerrero.

Posada Carriles, a quien sus amigos llaman Bambi, nació en Cuba en 1928. Los créditos básicos de su existencia comienzan al registrarlo como empleado de la empresa transnacional norteamericana Firestone, en La Habana Y continúa describiéndolo como colaborador de la policía del dictador Fulgencio Batista; entrenador de la Brigada 2506 que desembarcó y fue derrotada en Playa Girón; ranger con grados de segundo teniente, en Fort Bennig, Georgia; agente de la CIA y colaborador del FBI; profesor de manipulación de explosivos; organizador de teams de infiltración en operaciones comandos contra objetivos cubanos; jefe de departamento de la Dirección de Servicios de Inteligencia y Prevención (DISIP), en Venezuela, en los gobiernos previos al de Hugo Chávez; jefe del departamento de “ayuda humanitaria” del Departamento de Estado de los Estados Unidos en Ilopango, Honduras, y director de agencias de seguridad en Guatemala..

 

“En una época, nuestros amigos norteamericanos nos entrenaron y adiestraron en el uso y manejo de armas, explosivos y técnicas incendiarias.  (…) La Agencia Central de Inteligencia (CIA), enviaba explosivos (C3), lapiceros de tiempo, mecha, cordón detonante, detonadores y todo lo necesario para actos de sabotaje. En aquel tiempo (1960), este tipo de actividades eran conocidas con el nombre de “Acción y Sabotaje". El cubano que desafiaba al régimen, poniendo en peligro su vida, el que se infiltraba en la Isla procedente de Miami para organizar los cuadros de la Resistencia y traer armas y explosivos, era admirado y considerado un soldado de la patria y un héroe de la contrarrevolución. (…)

“En el desarrollo de este propósito y estas luchas, mi vida se consumía entre una operación y otra, con largos intermedios de inacción, aburrimiento y frustración, hasta que me llegó la oportunidad histórica de trasladarme a Venezuela, país amado en el que pasé la mayor parte de mi vida adulta. Inicialmente fui contratado como instructor de la Dirección General de Policía (DIGEPOL) venezolana y asesor especial en asuntos de Seguridad Pública (...) Por las demandas imperativas de esa lucha, la DIGEPOL se convirtió de cuerpo represivo del delito político para el que estaba originalmente diseñada, en la Dirección de los Servicios de Inteligencia y Prevención (DISIP).  Dentro del esquema, llegué a ocupar el cargo de Comisario Jefe de la División General de Seguridad, con la responsabilidad directa sobre las Divisiones de Armas y Explosivos, Seguimiento y Vigilancia, Protección de Personalidades y Medios Técnicos. Desde mi posición, combatí sin tregua a los enemigos de la democracia venezolana (...) La policía, cuya fuerza principal estaba en los delatores, detenía, allanaba e interrogaba utilizando los métodos más duros de persuasión. Como dice el dicho: “Se estaba jugando al duro y sin careta.”

 

Parece claro: Posada Carriles no quiso servir a los pobres. Y muy pocos dudan  de que ha matado fuera del terreno de la guerra: a sangre fría. Mas, ese es el doble rasero que algunos aplican en Miami. Asesinos buenos y otros que por haber querido defender a los pobres ya reciben el crédito de “asesinos malos”. Y a propósito, cuál recibió el ex coronel Esteban Ventura Novo, que murió en paz, siendo vecino en Miami de varios de  cuantos él mismo torturó durante la tiranía de Batista.

Excusen los trapos sucios. Pero los que estamos en Cuba también pensamos. Y podemos preguntar: ¿Por qué Monseñor Carlos Manuel de Céspedes no puede escribir sobre Che Guevara, un hombre al que los cubanos honrados podrán reprocharle cierta rigidez en su actuación, pero nunca dudar de su honradez de revolucionario que creía en cuanto hacía y que para ello echaba su piel por delante? ¿O la libertad que en Miami se predica juega al cachumbambé: para unos sí y para otros no?

 

 

 

 

DANDO Y BUSCANDO

Por Luis Sexto

Actuemos, no investiguemos. Esta frase puede resumir el estado de opinión de la porción más inquieta de nuestra sociedad. Y como programa de acción es aceptable siempre y cuando, antes de actuar… hayamos investigado. Es decir, la artillería dispara luego de saber las coordenadas del blanco. Palos a ciegas son generalmente fallidos, incluso injustos.

Me parece que, en efecto, los cubanos debemos actuar sobre los problemas e insuficiencias que nos aquejan. Pero la cautela tiene que regir nuestra acción. Porque el riesgo lo tenemos delante: intentar golpear solo las manifestaciones, dejando intactas las causas.

Entremos, pues, en lo hondo. Me he quejado varias veces de que la reflexión colectiva es poco común entre nosotros. ¿Dónde están los espacios? Y cuando aparecen es probable que alguien se escandalice por una opinión que no encaja entre las opiniones “aprobables”. Cierta gente se asusta. Y por lo tanto, siguiendo el pensamiento de Raúl en el XIX Congreso de la CTC, precisamos de hablar en el lugar apropiado y en el momento también apropiado. Y, en correspondencia, cuantos deben oír, han de oír sin espantarse. Nuestro país no peligra por la expresión, en el lugar justo, de una opinión. Tal vez nos hace daño la falta de opinión.

Por lo expuesto, estoy estimulado al ver a filósofos y sociólogos presentarse en las páginas de un periódico –como lo hicieron pace poco en JR- y emitir su criterio, científicamente fundamentado, acerca de algunos aspectos de la realidad cubana. Necesitamos, antes de actuar contra el maltrato, el hurto, el robo, la corrupción, determinar las causas que, en lo más profundo de la sociedad, condicionan esas conductas. Y ese trabajo corresponde, sobre todo, a los científicos sociales. Las decisiones políticas han de estar, incluso, nutridas por esas evaluaciones.

Podríamos ahora, por ejemplo, juzgar a cuantos delinquen desde un puesto estatal, sea un organismos una tienda, una cafetería. Y no recomiendo que no se les juzgue y condene. Pero, si actuamos reprimiendo, castigando, sancionando, habrá que preparar también una acción contra las causas que engendran, de modo tan inquietante, esas conductas insanas. Porque la historia ha demostrado que si lo que subyace y condiciona permanece incólume, los actos se repiten, aunque sean otros los agentes. La investigación tendría que dar respuesta a preguntas como estas: ¿Es acertada nuestra organización productiva y salarial? ¿Organizamos la propiedad de modo que produzca riquezas, bienestar?

No estamos en presencia de un desajuste normal. En toda sociedad existe un grupo que delinque, que se aparta de lo sociable para acogerse a lo antisociable. Las circunstancias en Cuba presentan otras características. Se trata de que causas objetivas están influyendo en la subjetividad ciudadana, y muchos, no sé cuantos, creen que maltratar, robar, incluso corromperse es como una especie de revancha ante las carencias y limitaciones actuales.

No quisiera exagerar. Pero algo de lo negativo en la vida cubana es obra de gestores soterrados, estructurales. Y por ello me parece que la indagación filosófica y sociológica ha de tener ahora su momento, para que no echemos salvas al aire; para que no apuntemos al Morro y le demos a La Cabaña. Lo peor que nos puede suceder es que no sepamos, además de las conocidas –como el bloqueo de los Estgados Unidos, por ejemplo-, qué otras causas y condicionamientos están alentando, desde el fondo, a todo cuanto hoy nos inquieta porque nos daña, nos desmoviliza y nos deforma.

La moral sirve. ¿Quién lo duda? La vanguardia se mueve por incentivos morales. Pero ¿no sería incorrecto estimar que todos formamos parte de la vanguardia? La realidad nos dice, desde un mostrador, una tarima, un taxi, una oficina, un almacén, una fábrica, un campo de boniato, que la vanguardia, en verdad y sinceridad, es patrimonio de los menos. El desafío consiste en acrecentarla. Y para ello habrá que levantar el piso.

TIBET: ¿ES EL DALAI LAMA UN MODERADO?

TIBET: ¿ES EL DALAI LAMA UN MODERADO?

Por Domenico Losurdo


Esa es la reputación que ha conseguido formarse con gran habilidad política y mediática. Sin embargo, los observadores más informados no se dejan convencer.

 

El 15 de mayo, el ex-canciller alemán Helmut Schmidt publicó un artículo en "Die Zeit" que contenía algunos pasajes especialmente significativos: "El Dalai Lama también ha cometido errores. En sus libros, presenta los territorios de Gansu, Qindgai, Yunnan y Sichuan, habitados por pequeñas minorías tibetanas, como partes integrantes del Tibet. Es un argumento provocador que no necesitábamos". No hay duda, ¡resulta difícil interpretar el proyecto expansionista del Gran Tibet como una expresión de moderación y voluntad de conciliación! Sólo un incendiario podría defender este tipo de propósitos que, en definitiva, implican el desmembramiento de China (uno de los objetivos más ansiados del colonialismo y del imperialismo desde finales del siglo XIX).

 

Debería existir, añade Schmidt, un compromiso : " En el fondo, el debate está claro. Por una parte China debería reconocer la autonomía religiosa de los tibetanos y acoger al Dalai Lama como su jefe espiritual. Por la otra, el Dalai Lama y todas las sectas lamaistas deberían reconocer la legalidad del gobierno Chino y de su ordenamiento jurídico en el Tibet".

 

Desafortunadamente- añadiría- la separación entre el ámbito político y el ámbito religioso no es aceptada en absoluto por los fundamentalistas. La "Constitución", que fue realizada por el gobierno tibetano en el exilio, concluye con una "Resolución especial", aprobada en 1991, que proclama la obligación político-religiosa de tener "fe" y de estar subordinado a su "Santidad el Dalai Lama", llamado a "seguir siendo nuestro jefe supremo y temporal".

Las declaraciones del ex-canciller alemán no son un hecho aislado. El 19 de mayo el International Herald Tribune publicó un artículo que reconstituía un breve relato sobre la intransigencia del presunto campeón de la moderación y de la razón: " El Dalai Lama no ha sabido aprovechar una serie de oportunidades: no tomó en consideración la mano que le tendió el general Hu Yaobang en 1981; rechazó una invitación a China en 1989; anunció la decisión del Panchen Lama de tal forma que fue percibida por China como un insulto. Cuando el Dalai Lama y su entorno hablan de "genocidio" y reivindican un Tibet con una superficie equivalente a casi a un cuarto del territorio chino, chocan a los chinos moderados".

¿Qué conclusiones podemos sacar? Explicar la "cuestión del Tibet" a partir de las declaraciones del Dalai Lama y de sus discípulos sería como reconstruir la revolución francesa fiándose de los análisis de las reacciones de los nobles que, en ese momento, se encontraban refugiados en el extranjero, y que trataban de centrar todas sus esperanzas en las armas de las potencias contra-revolucionarias. El movimiento tibetano en el exilio adopta ahora esa misma actitud. Continúan con la esperanza de realizar sus proyectos expansionistas y fundamentalistas mediante un desmantelamiento de China, parecido al que tuvo lugar en URSS y en Yugoslavia. Sueñan con que algún día Pequín pueda ser bombardeado de forma sistemática por las fuerzas humanitarias de los EEUU y de la OTAN como lo fue Belgrado en 1999. La campaña de difamación y de odio actualmente en curso constituye un aspecto esencial de la preparación ideológica de la guerra deseadas por estas elites. En cuanto a la reacción tibetana, resulta significativo que, en 1999, la embajada china en Belgrado fuese atacada.

A pesar de todo, el impetuoso desarrollo de este gran país asiático evidencia todavía más el carácter demente e irrealista de este proyecto criminal. ¿Presenta el Dalai Lama algún signo de arrepentimiento? Mientras la población china guardaba tres días de duelo de forma solemne y unánime por el terrible terremoto que acaban de sufrir, en Alemania, su siempre sonriente Santidad convocaba ruidosas manifestaciones de calle aclamando sus reivindicaciones habituales. La estrategia de la provocación continúa....

LA MARCHA ATRÁS NO VA P’ALANTE

Por Luis Sexto

Muchos podríamos compartir una experiencia común: tanto hoy como ayer –es decir, hace 15 ó 20 años, oíamos a algunos decir: Tenemos que hacer concesiones… Querían decir, por ejemplo, que si hubo que establecer o restablecer legalmente el trabajo por cuenta propia era porque la vida nos obliga a retroceder, a “hacer una concesión”.

 

Ante esa aseveración, que escuchábamos a cada rato en asambleas, en entrevistas, uno preguntaba: ¿Concesión con respecto a qué? No había que registrar demasiado en los móviles y en la teoría para responder: concesión con respecto a lo que deseamos y queremos. Es decir, que para quienes veían en la propiedad del Estado el sumo de la perfección, el trabajo individual autónomo significaba un desliz, una cañona de las circunstancias.

 

No discutamos ahora si la propiedad estatal es superior a otras o si ese orden verdaderamente socializa la propiedad. Analicemos en este instante la actitud de estar estimando que cualquier decisión realista, cualquier respuesta a las demandas de la vida social y que no coincidan con lo que he venido haciendo durante tanto tiempo, implica un “gesto concesivo”, un mal menor que mañana, si nos dan la oportunidad volvemos, como  la cinta de un video, a echar “p’atrás”. ¿No será esa la explicación de la conducta que casi unánimemente llamamos de bandazos?

 

Escribir, comentar sobre los asuntos de nuestra sociedad supone –ya deben de haberse dado cuenta- toparse con la repetición. Nuestros problemas son los mismos del ayer inmediato. Y he reconocido que mucho de cuanto escribí en Bohemia entre 1990 y 1997, lo he repetido en esta sección si que la coincidencia me acuse de facilista. Y me he percatado de las coincidencias al releerme, que a veces debo de hacerlo para no perder mi identidad. Porque por momentos alguien pretende confundirte. Ante cierto artículo mío contra el peligro del dogmatismo, que suele invalidar la saludable “herejía”, alguien escribió en algún sitio que yo transitaba del “dogma al elogio de la herejía”, esto es, que el viejo dogmático, que yo era, había recalado en posiciones heréticas con fines oportunistas. No respondí entonces. Ahora menciono el hecho solo para explicar que me vi obligado a releerme. Y hallé que aún en aquella etapa de los 90, escribí contra el dogma y la mentira; contra el inmovilismo y contra  la unanimidad y la corrupción… Moraleja: Alguno puede enjuiciarte sin haberte leído…

 

Por supuesto, ese no es el tema. Más bien, nuestro tema se fundamenta en la percepción de que el gran problema de la sociedad cubana ha sido hallar la eficiencia y la efectividad –que no son lo mismo- en un orden de justicia, igualdad y libertad. De modo, que los esquemas preconcebidos no pueden dictar la norma. ¿No parece que olvidamos la dialéctica? ¿No nos percatamos que cuando juzgamos la realidad prescindimos de los instrumentos más precisos y los sustituimos por las manifestaciones voluntaristas, que equivalen al lema de ir por ese camino “porque así lo quiero”?

 

La concesión tal vez haya que definirla teniendo en cuenta a quién o a qué se le otorga. Digamos por ejemplo, si ya la experiencia acumulada, en nuestras circunstancias de deterioro, nos indica que grandes empresas agrícolas no son recomendables y las opiniones más atinadas aconsejan cooperativizar o incentivar el trabajo familiar o individual, por qué, pues, insistir en lo que no prospera o necesita exceso de recurso para lograrlo. ¿Es una “concesión”, un retroceso, concebir, organizar fórmulas que prometan el progreso en obras concretas y no en sueños? Claro, al sujeto que se acostumbró a dictar, abroquelado en su buró o en su yipi, qué sembrar o cómo cosechar quizás le disguste que los productores ganen autonomía, capacidad de decisión…

 

La concesión, en fin, se les puede hacer solo a quienes gozan con las carencias, las insuficiencias, las incapacidades del socialismo cubano. En estos días, confrontando la opinión de funcionarios y periodistas norteamericanos o sus servidores, he confirmado que a cuanta medida democrática o de progreso se han adoptado en Cuba, ellos oponen reparos: “Ah, sí, pero no”. Claro, se quejan: han perdido la “concesión” del inmovilismo.

 

A mi modesto entender, eso que algunos llaman “marcha atrás” cuando no coincide que el esquema habitual o con lo que estiman ideológicamente más conveniente, pero impulsa el movimiento, merece el crédito de progreso. Porque estacionarse en lo que no avanza equivale a ir hacia atrás y, por tanto, progreso ha de ser lo que renueva la esperanza y la fe, lo que anima el trabajo. Lo demás es teoría que habrá que seguir debatiendo. (Publicado en Juventud Rebelde)